Sobredotado: Quem é Pariz?
Pariz: Pariz é um rapaz de 25 anos, formado em AudioVisuais, nascido e criado em Ponta Delgada(Açores) e que reside em Lisboa à 13 anos.
Sobredotado: Porquê Pariz?
Pariz: O tag Pariz veio ao meu encontro, tive anteriores tags todos eles com um significado, sendo que este veio espontaneamente, um dia em uma aula de história do cinema estava a desenhar e estas letras foram surgindo uma atrás da outra sendo que a ultima foi o "s" e não o "z" mas como não queria o tag estivesse interligado à cidade Francesa decidi utilizar o "Z".
Sobredotado: O que é para ti arte e graffiti? São conceitos que andam juntos?
Pariz: Se olharmos para a componente legal do graffiti a minha resposta é sem duvida sim, quanto á componente ilegal a resposta será sem duvida mais ambígua.
Sobredotado: Tens algum tipo de formação que te permitiu explorar a arte que elaboras?
Pariz: Estudei a 7ª arte, que reúne a meu ver um pouco de todas as outras, formação tenho todos os dias quando oiço uma música, vejo um filme, quando ando pela rua, depois de uma conversa, tudo isto são elementos de inspiração e formação a meu ver.

Sobredotado: Como te introduziste na área do graffiti?
Pariz: Por mero acidente, tudo começou com uma lata de spray que imitava a neve na época natalícia, achei que aquilo tinha um enorme potencial, dai até comprar uma lata de spray preta foi um passo, todo o knowledge acerca do graffiti veio daquilo que comecei a ver nas ruas, e até me aperceber que se chamada Graffiti e pertencia a uma cultura levou uns meses, pois não existia qualquer tipo de informação.
Sobredotado: À quanto tempo pintas?
Pariz: À 11 anos que o facto de estar com uma lata na mão me faz sorrir, ás vezes é preciso tão pouco para sermos felizes, não achas?
Concordo perfeitamente Pariz. Pequenas coisas podem nos trazer os melhores momentos das nossas vidas. Cabe-nos a nós saboreá-los da melhor maneira.

Sobredotado: Quais são as tuas influencias? E qual o teu estilo de graffiti preferido?
Pariz: As influencias mudam um pouco todos os anos, e vou-me apercebendo disso com as viagens que faço, vejo estilos que nunca chegaram à internet, em subúrbios formidáveis com artistas desconhecidos e estilos de pura originalidade. Apesar de ir variando de influências como te disse, a base é sempre Nova York, e toda a sua escola, actualmente sou FAN nº1 do que se faz na Nova Zelândia, Austrália e Los Angeles.
Sobredotado: Qual é para ti o ponto de situação do graffiti em Portugal?
Pariz: Neste momento Portugal a nível de Graffiti atravessa a sua melhor e pior fase. Se à cerca de um ano não existiam lojas somente direccionadas para a venda de produtos relacionados com graffiti, neste momento temos duas, os estilos estão cada vez melhores, e temos muitos bons writers. Mas se por um lado existe uma progressão a nível de pontos de venda de produtos direccionados para nós, e uma evolução qualitativa de estilos, esta mesma progressão não existe no que toca à mentalidade de muitos que fazem graffiti, a inveja, arrogância, falsa competição, e falta de respeito são maestros em uma orquestra em que a musica pode ser tão boa como má.

Sobredotado: O que te motiva para continuar?
Pariz: Tudo, as cidades em que ainda não pintei, as pessoas que ainda não conheci, as peças que ainda não fiz, tudo....graffiti para mim é uma viagem para a qual só comprei o bilhete de ida.
Sobredotado: A tua identidade é algum segredo?
Pariz: Não, apesar de não dar muito a cara, quero que o que faço fale por si.
Sobredotado: Alguma situação caricata que tenhas passado enquanto pintavas?
Pariz: Muitas, muitas mesmo, desde noites incríveis, cada país conta uma história diferente, mas conto-te uma passada em Portugal no histórico muro de Carcavelos, em que sou abordado por um senhor de 93anos que me diz "oiça lá meu jovem a sua pintura é um poema", ao que eu intrigado pergunto porquê, e este senhor saiu-se com esta fenomenal resposta "as suas letras são direitas e deitadas, redondas e quadradas", ele descreveu as minhas letras em forma de poema achei formidável.

Sobredotado: Qual a tua lata e cor preferida nas peças que desenvolves?
Pariz: Telemagenta Pink da Molotow.
Sobredotado: Não foi à muito tempo que levaste à Dedicated Store em Lisboa uma colecção só tua intitulada de "Pieces Of Me". Fala-nos um pouco do que apresentas-te aos "Lisboa's Finest".
Pariz: Basicamente levei á loja pedaços de mim, enquanto writer, fotos, bocados de muro, telas, a onde cada uma destas peças contam uma história.

Sobredotado: Qual o conselho que darias aos novos writers que estão agora a começar?
Pariz: Desenhar, persistência, força de vontade, coragem, e ambição são as chaves, para abrir as portas de infinitas possibilidades, não queiram fazer o que outros fizeram, ou ter o que outros têm, criem as vossas próprias metas e com empenho vão atingir uma a uma.
Sobredotado: O que pretendes no futuro?
Pariz: Atingir o inatingível, mergulhar num mar de originalidade, dar a conhecer o que faço ainda mais além.
Sobredotado: Tens algum projecto em mente que nunca tenhas feito por não surgir oportunidade ou material?
Pariz: Sim vários, tenho sorte por ter conseguido realizar alguns, mas muitos mais estão por fazer, um deles seria pintar os muros espalhados por todo o mundo que dividem cidades e países que em tempos foram só um, pintar dos dois lados do muro, provando assim que o graffiti não têm barreiras culturais ou politicas.
Sobredotado: "Bairro dos Índios" foi um projecto que tu juntamente com os writers Sen, Smile, Nark, Mistik, Que?, Goya e Travis levaram a cabo, obtendo um resultado abusador e uma verdadeira obra prima. A tua melhor "obra"?
Pariz: Foi sem dúvida um grande projecto organizado por mim pelo Sen e o Smile, levado a cabo com a participação dos writers que nomeaste, mas não considero a minha melhor "obra".
Já falamos sobre esta enorme peça. Apreciem aqui.
Sobredotado: Para finalizar, algumas últimas palavras que queiras deixar?
Pariz: Um grande obrigado pelo suporte e dedicação da minha família, namorada, crews GVS,VDS,TKO,CSF, Dedicated Store, Molotow, LGN crew, Luís Carneiro, Jorge e Mário.
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