
Antes de tudo meus caros, permitam-me um pequeno parágrafo para felicitar e agradecer a todos os que tem contribuído para o crescer desce vosso espaço, participando nas nossas iniciativas, mais concretamente nas respostas às questões que colocamos nas nossas entrevistas que vamos fazendo a todos estes artistas, no qual já se incluem Mr. Dheo, Oker, Dexa, Pariz, Adres, Smile e Carneiro. Neste presente artigo, acrescentamos mais um nome a essa “lista tão selectiva e com nomes tão fortes a nível nacional”, Eime a quem deixamos igualmente um enorme agradecimento pela disponibilidade em responder às nossas perguntas.
Eime é um apaixonado pela arte do stencil.
Desenvolve de forma mais aprofundado a sua arte desde 2003 e desde aí tem espalhado várias peças que brilham pela qualidade e diferença. Com um estilo muito próprio, têm enaltecido a street art portuguesa com belos trabalhos, primando por pinturas em que o rosto humano é peça central e focalizada.
E assim, com esta pequeníssima introdução, deixo-vos com a entrevista a Eime para ficarem a conhecer mais deste grande artista! Até já!
Eime na web:
Site oficial: http://eimeime.tumblr.com
Facebook: http://www.facebook.com/pages/Eime/160504250675202
Sobredotado: Quem é o Eime?
Eime: Um Cenógrafo freelancer que faz da pintura o seu hobbie principal.
Sobredotado: Porquê a tag Eime?
Eime: A assinatura EIME já tem uns bons anos, quando ainda percorria e me aventurava no graffiti. Na altura não estava satisfeito com o meu tag então abri um dicionário de Alemão que estava lá por casa e ao calhas (após algumas tentativas), apontei na palavra EIMER, que significa qualquer coisa como: balde; balde do lixo. Nem foi tanto pelo significado, mas gostei de como soava e mantive. Pouco tempo depois, como não estava a conseguir desenhar R's de jeito, anulei-o e ficou só EIME. Hoje em dia gosto e mantenho-o porque, principalmente, não significa nada em concreto.

Sobredotado: Como surgiu a paixão pelo stencil?
Eime: Desde que comecei a infiltrar-me nestas artes mais urbanas, que o stencil me acompanha, numa primeira fase, como técnica meramente intrigante e fascinante, mas que mais tarde, a partir de 2003 passei a usar para alguns trabalhos. Para muitos o stencil não passa de uma maneira simples e rápida de se conseguir uma forma, seja humana ou qualquer outra porque, provavelmente, muitos desses nunca experimentaram, em modo livre e despreocupado, fazer um stencil com, pelo menos 3 layers. Da mesma maneira que um graffiti requer estudo, dedicação, técnica e experiência, um stencil também passa por essas etapas todas e tem sido basicamente isso que me tem mantido agarrado. Cada qual arranja a sua maneira mais confortável e inteligente de trabalhar o stencil e, apesar de já usar esta técnica há uns anos, aparecem sempre coisas novas por explocar, tanto no corte como depois na pintura.

Sobredotado: O teu trabalho anda muito em volta de faces humanas. Porquê essa preferência?
Eime: A explicação mais lógica e que se tem mantido presente talvez seja por gostar de trabalhar o olhar das pessoas. Da mesma maneira que eu gosto de me sentir atraído pela peça quando a estou a fazer, gosto de provocar o mesmo nas pessoas que vêm os meus trabalhos. Uma boa cara tem muito mais impacto perante nós do que uma paisagem ou outro elemento qualquer. Depois, uma boa cara com um olhar forte, deixa-te colado e provavelmente a reflectir durante uns segundos. Até à data tenho-me apoiado em caras humanas, mas sei lá o que aí virá..

Sobredotado: A peça desenvolvida por ti na abertura da galeria da Bench tem claramente a tua marca. Dar forma a esse estilo tem que ser bastante trabalhoso. Explica-nos de forma geral a complexidade em desenvolver um trabalho desse género.
Eime: Por acaso essa peça nem foi das mais trabalhosas que fiz. O stencil em si não tinha muitos pormenores de corte e eram só 3 layers, o que realmente caracteriza a peça são os escorridos. Habitualmente, e ali foi o caso, usei o meu borrifador (há quem me chame, "O Borrifas") e tinta bastante liquida para fazer os escorridos, depois é ires subindo e descendo do escadote vezes sem conta para veres como fica ao longe porque, ao perto não percebes nada, são apenas manchas.

Sobredotado: Tens algum(s) artista(s) como referência(s)?
Eime: Como artista de stencil tento acompanhar sempre os trabalhos de uma mão cheia de artistas da mesma área porque, apesar de poucos, anda uma boa vaga a surgir. O Vhils e o C215 são os que à mais tempo acompanho, principalmente pelo lado inovador e sempre surpreendente em cada trabalho. Fora stencil o que não falta é gente optima para seguir mas não menciono nomes.

Sobredotado: Consideras que street art em Portugal está em claro desenvolvimento? É algo positivo essa maior exposição?
Eime: Tendo em conta que para mim o termo street art engloba apenas: stencil, stickers e posters, não, não acho que esteja em grande desenvolvimento em Portugal. Quando comecei em 2004 a colar uns stickers e posters por Lisboa, sentia que em cada nova semana surgiam mais uns 20 macacos com ideias novas que te deixavam com vontade de fazer ainda mais. Com a vinda para a Porto, para além de ser uma cidade com pouca acção urbana e por serem quase sempre os mesmos a fazer, deixei de estar diariamente alimentado e, apesar de surgirem umas melhores fases ao longo dos anos, penso que a nível geral, tem vindo a decrescer. Por outro lado, tenho reparado que há mais inteligência nos trabalhos, não são apenas bonecada e coisas pensadas à pressa só porque dá pica expor na rua. Se agora considerarmos que o graffiti e a pintura mural também são street art, aí sim, tem havido um boom muito interessante e bastante motivador.
Sobredotado: Alguma situação caricata que tenhas passado enquanto pintavas mais um stencil?
Eime: Já passei por algumas situações caricatas mas nenhuma com grande relevância.

Sobredotado: Em quê ou em quem te inspiras?
Eime: Há tanta coisa que me inspira, seja por ter/ser algo interessante ou por ser de péssima qualidade. A falta de qualidade também inspira, ajuda-te a definir melhor o teu lugar.
Sobredotado: Consegues enumerar um trabalho que tenha deixado uma marca mais profunda?
Eime: Penso que o trabalho que mais me marcou foi o que fiz para a GAU, na calçada da glória, em Lisboa o ano passado. Foi a primeira vez que fiz um stencil tão grande, sozinho e com a dificuldade que apresentou. Foi também a primeira vez que pintei live act durante tantos dias num local tão movimentado. O feedback das pessoas, principalmente dos estrangeiros foi um incentivo para continuar.

Sobredotado: Vês-te daqui a uns anos ainda a pintar?
Eime: Gostava bastante, espero parar quando começar a perceber que não me estou a superar, nem a dar nada de novo.
Sobredotado: Para terminar, algumas últimas palavras que queiras deixar?
Eime: Obrigado.

